Planejamento urbano: a tendência dos condomínios horizontais

O planejamento urbano tem como premissa otimizar a vida dos moradores de cidades, ou seja, é o trabalho baseado na ideia de que é possível encontrar meios de fazer com que o convívio urbano se torne mais agradável, seguro e confortável.

 

Nesse contexto de qualidade de moradia, surgiram os condomínios horizontais. Famosos pelo luxo e pelos grandes espaços, eles têm se tornado comuns e ganhado novos ares e configurações – hoje, é possível encontrar condomínios de diversos modelos. Mas engana-se quem pensa que só de luxo vive um condomínio horizontal. Nos tempos atuais, temos cada vez mais novos formatos e eles estão dominando o mercado imobiliário e de construção civil.

 

No texto de hoje, vamos entender melhor qual é a relação entre o planejamento urbano e a ascensão dos condomínios horizontais, além de trazer uma reflexão sobre o impacto que essas construções têm na qualidade de vida dos seus moradores e no ambiente em si. Confira!

 

Os condomínios horizontais como fuga da violência

 

 

Não há dúvidas: uma das maiores motivações para a criação de condomínios horizontais é proporcionar aos seus moradores uma união clara entre segurança e liberdade de espaço. Nos condomínios verticais – os comuns prédios de apartamentos – existe um déficit em uma dessas pontas, que é a falta de espaço.

Com exceção dos grandes conjuntos de prédios, que provém de uma área verde comum, o que se vê são apartamentos pequenos, com pouca luz natural e ainda menos espaço de convivência entre os moradores.

É justamente o contrário do que um condomínio horizontal propõe. Além da segurança típica dos muros, das cercas, dos guardas e das câmeras, eles têm mais a oferecer: área grande, terrenos amplos e privacidade aliada ao lazer em conjunto com os vizinhos. Tudo isso dentro de uma bolha impenetrável, protegida e confortável.

Estar seguro ainda é uma das maiores vantagens dos condomínios. Mas o desejo de morar em uma casa térrea, com lazer privativo e o charme dos quintais fez com que surgisse a necessidade de haver o melhor dos dois mundos. E eles têm se mostrado altamente vendáveis e fáceis de serem a preferência de quem pode escolher onde prefere morar.

 

Se as grandes cidades podem representar violência, insegurança e exposição ao perigo, os condomínios são como refúgios. E eles trazem um “plus”: são oásis próximos ao centro urbano, geralmente a poucos quilômetros do trabalho, das escolas e das oportunidades.

 

O mercado dos condomínios horizontais

 

 

O mercado dos condomínios horizontais é uma frequente cada vez mais vista, em todas as regiões do país, principalmente no nordeste, centro-oeste e sudeste. Essa onda tem algumas explicações que falaremos mais abaixo, porém, o que é importante citar é que esse mercado é aflorado e altamente rentável.

No Mato Grosso, por exemplo, esse tipo de empreendimento já movimenta 5 bilhões. Os dados são do Sinduscon-MT. Já na região de João Pessoa, estima-se cerca de 284 novos empreendimentos apenas no ano de 2012.

Não há dúvidas de que esse mercado é capaz de trazer bons frutos para construtoras e para os novos moradores, que desfrutam das vantagens do maior espaço.

Para o mercado imobiliário, a aposta nos condomínios horizontais vem desde de 2016. Em entrevista ao G1, Guido Cussiol Neto, diretor do Sindicato da Habitação (Secovi), afirmou que essa crescente é fruto de uma necessidade clara em se ter mais espaço, sem perder a segurança do patrimônio e da vida.

Planejamento Urbano x Condomínios Horizontais – Pontos a serem considerados

 

 

Quando se pensa em planejamento urbano, os condomínios horizontais podem levar a culpa pelo excesso de espaço que utilizam. Não há como negar que eles ocupam metros a mais do que um prédio de apartamentos – e esse é mais um dos grandes motivos para que as pessoas os adorem.

Mas, se vamos falar da questão ambiental, precisamos levar em conta que esses grandes condomínios estão cada vez mais preocupados com a quantidade de verde que oferecem aos seus moradores. Alguns trabalham já com o conceito de reflorestamento, com boa quantidade de sombras derivadas das árvores e com energias alternativas, como a solar.

Logo, pensar no excesso de espaço que um condomínio horizontal consome pode ser contraditório. Ao mesmo tempo, precisamos lembrar que se tratando de densidade urbana, eles ficam para trás. Vamos entender melhor:

 

  • A densidade urbana é entendida de forma muito simples: trata-se da quantidade de infraestrutura concedida para a população daquele local. Ou seja, um condomínio horizontal baixa densidade, já que lá existem menos pessoas que aquele espaço realmente poderia abrigar. Isso, claro, quando falamos dos condomínios maiores. Os populares costumam ter densidade maior, embora não comparada a um prédio.
  • Ecologicamente falando, esse não é um problema de fato. Menos pessoas em um espaço pode significar mais área verde.

 

Embora seja relativamente mais comum encontrar condomínios horizontais com grandes áreas construídas para poucas pessoas, existem os que possuem as áreas de reflorestamento e a preocupação com o verde. Um conceito mais novo, porém, que tem atraído quem se preocupa com a preservação do meio ambiente.

Novo urbanismo americano e o condomínio horizontal

 

Há uma certa relação entre o que os especialistas chamam de “novo urbanismo americano” e a tendência aos condomínios horizontais a crescerem cada vez mais. Esse conceito tem alguns pontos básicos:

O Retorno à vida pacata, de cidade do interior, onde é possível viver sem preocupações, conhecendo todos os vizinhos e se deixando suas crianças saírem às ruas para brincar, por exemplo. É a ideia do suburbano americanizado.

Essa ideia de trazer o subúrbio americano ao Brasil, com casas sem muros, garagens abertas e portas que dão diretamente aos jardins, seria impossível em um grande centro ou em ruas abertas. O condomínio horizontal fechado proporciona tudo isso, sem abrir mão da segurança.

Em uma sociedade onde os assaltos a casas são comuns, ter como se isolar de uma forma segura se tornou o sonho de muita gente que não pode abrir mão da proximidade com a cidade – o que torna a ideia de morar no interior quase impossível. Logo, viver em uma área urbana, porém, isolada, passou a ser a chave para realizar esse desejo.  Segundo o professor de Urbanismo e Planejamento da UnB, Benny Schvarsberg, “o fenômeno dos condomínios horizontais não tem mais do que três ou quatro décadas, mas já faz parte da realidade de grandes cidades do país, como Brasília, por exemplo.”

As vantagens do condomínio horizontal

 

 

Entendemos até aqui um pouco do que é o condomínio horizontal e seu conceito urbanístico que o levou a se tornar o que conhecemos hoje. Embora relativamente novo, o condomínio horizontal não é pouco inexplorado – estima-se que existam centenas deles ao redor das maiores cidades do país.

Trouxemos algumas das vantagens que esse tipo de moradia oferece:

Como explicamos, o condomínio horizontal é amplo, grande e traz conceitos de liberdade aliados à privacidade. É ser capaz de ter uma casa aberta, sem muros ou câmeras, porém, com total certeza de que há segurança zelando pelo seu patrimônio e pela vida. Sem dúvidas, a união entre espaço e segurança é a primeira e mais importante vantagem desse tipo de empreendimento.

As áreas verdes devem estar na lista de vantagens de um condomínio horizontal. Há os que prezam por lagos, florestas pequenas e gramados por toda a extensão. É uma forma de se reconectar com a natureza sem sair de perto da cidade. Bons exemplos de condomínio horizontal ecológico são os localizados nas beiras das represas – eles costumam ter acesso para barcos e lanchas. Obviamente, esse tipo de empreendimento costuma ser mais caro e voltado para a classe A e B.

 

 

A sustentabilidade é um ponto a ser pensado. Os condomínios horizontais mais modernos costumam reciclar os lixos dos moradores, utilizam energia renovável e pensam no plantio de árvores. Alguns casos, há hortas coletivas, espaços de convivência que envolvem jardinagem e ações para economizar água. São comunidades que utilizam da convivência mais próxima para compartilhar valores.

A qualidade dos lotes pode ser considera uma vantagem para quem irá investir nesse tipo de empreendimento. A grande maioria dos condomínios horizontais já trazem os terrenos assentados e as ruas asfaltadas. Para quem pretende construir, esse é um ponto a ser levado em conta.

Por fim, o convívio social com os vizinhos se torna aflorado quando há espaços de uso comum, especialmente para os que têm filhos pequenos. Passeios nas ruas seguras e monitoradas podem ser rotina em lugares como esses. Existe o que chamamos de resgate do interior, onde as crianças podem sair à rua sem preocupações e dentro dos limites do condomínio. Diferente dos condomínios verticais, há espaço, ruas e muito a explorar – tudo isso o torna mais tentador para as pessoas que desejam uma vida com mais tranquilidade.

 

Os condomínios horizontais menores – Realidade mais acessível

 

 

Além dos condomínios horizontais luxuosos, com espaço de sobra e infraestrutura de dar inveja às cidades do interior, temos outro fenômeno comum nos centros urbanos: o retorno das vilas. Pequenas, charmosas e com a ideia de manter o clima residencial, elas estão conquistando quem quer mais espaço, porém, consegue se contentar com alguns metros a menos.

As vilas ou os condomínios horizontais compactos são, por característica, menores e com menos ruas e espaços de convivência entre os moradores. Porém, elas mantêm a ideia de ter um espaço privativo maior – geralmente as casas possuem quintal no fundo e um pouco mais de luz natural do que em um apartamento.

Além disso, esses condomínios costumam ser mais urbanizados e localizados em regiões mais centrais do que os maiores e mais luxuosos. Têm localização privilegiada, embora as casas costumem ter seus próprios muros – conceito diferente do padrão americano.

Nesse caso, as principais vantagens deixam de ser a ideia de construir sem muros e com espaço aberto. As características passam a ser as casas com delimitação própria, as vezes geminadas ou muito próximas umas das outras – porém, com tamanho bem maior do que os apartamentos.

O quintal, por menor que seja, geralmente é um ponto positivo para quem decide morar em uma vila ao invés de um prédio convencional.

 

O público-alvo das vilas modernas costumam ser:

  • Pessoas que desejam mais espaço construído, com casas ou sobrados que dobram ou triplicam o tamanho de um apartamento comum. São aqueles que desejam um espaço no quintal, mesmo que reduzido.
  • Classes A, B e até a classe C, que opta por um tipo de condomínio mais próximo da cidade e dos transportes públicos, porém, com mais espaço do que os prédios comuns.
  • Investidores que decidem alugar as casas de vila, por um preço parecido com os apartamentos.
  • Para as casas maiores, há um público da classe A, onde os lotes são menores, porém, a área construída geralmente é maior do que de um apartamento.

 

Por serem mais urbanas, as vilas são consideradas condomínios horizontais compactos e que cumprem o papel de ajudarem a diminuir o pouco espaço dos prédios, sem perder a característica de ambiente voltado para uma grande cidade.

Antes conhecidos como cortiços, esse tipo de moradia ganhou um ar de modernidade e de luxo em alguns casos. Transformou-se em um ambiente perfeito para quem não precisa de muito, mas também não se contenta com pouco. É o tipo de construção que se adequa à cidade, sem segregar ou isolar demais seus moradores.

Alguns condomínios horizontais menores possuem área de lazer, como quadra esportiva, piscina coletiva e estacionamento. Porém, eles costumam ser lugares onde os lotes independentes podem abrigar uma casa maior, com a vantagem da segurança de uma portaria e guarda 24 horas.

 

Conclusões

Tanto o condomínio horizontal de alto luxo quanto às vilas nos centros urbanos são formas que o ser humano encontrou para fugir da violência, encontrar paz, tranquilidade e muito mais espaço do que nos tradicionais prédios de apartamentos.

Nesse sentido, vale a pena refletir sobre o fenômeno de retorno às origens, que vem crescendo nos últimos anos. Se antes a vontade era se aglomerar nos arranha-céus, hoje há uma grande parcela da população que vai na contramão em busca das casas térreas com quintal e terreno grande.

Seja qual for sua preferência, hoje há espaço para todos os gostos e desejos. Basta planejar, escolher o melhor empreendimento, com um custo-benefício que combine com a sua família. Para resumir, separamos alguns pontos importantes:

Os condomínios horizontais grandes podem ter menor densidade e trazer um certo desequilíbrio ao planejamento urbano, porém, por serem mais restritos e exclusivos, não trouxeram grandes problemas ao espaço disponível como um todo.

Já as vilas, que são espaços compactos, representam soluções mais amigáveis para a cidade e podem representar mais amplitude nas casas sem que seja necessário um terreno muito grande para o empreendimento.

Ambos, caminhando lado a lado, são opções viáveis para quem não deseja morar em um apartamento, mas não deseja abrir mão da proximidade dos grandes centros. Famílias com crianças são as que fazem esse tipo de escolha.

 

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Fonte das citações:

https://www.youtube.com/watch?v=HPHhm0T30Cg

http://g1.globo.com/sao-paulo/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/mercado-imobiliario-do-interior/noticia/2016/06/momento-de-crise-traz-oportunidade-de-investimento-em-condominios.html

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